quinta-feira, 9 de junho de 2011

TEXTO PARA DISCUSSÃO

O último desafio dos e-books

Até o lançamento do leitor digital Kindle, em 2007, a tarefa de substituir o livro de papel parecia destinada ao fracasso. Nos últimos anos, porém, o crescimento da venda de livros digitais tem surpreendido especialistas a ponto de ameaçar o reinado dos livros tradicionais. Na trajetória de sucesso dos e-books, o mês de abril representou um marco. Pela primeira vez, as vendas de livros digitais superaram as vendas de livros em formato brochura nos Estados Unidos.

Ao todo, os livros digitais renderam US$ 164 milhões a livrarias on-line como a Amazon, fabricante do Kindle. Além da brochura, os e-books também ficaram à frente dos livros de bolso e de capa dura, tornando-se o formato mais popular no país. Entre os motivos para o resultado, o relatório da Association of American Publishers cita o maior número de títulos e a popularização de leitores digitais como o Kindle, o iPad e o Nook. Os números positivos, aliados à queda de 25% nas vendas de livros de papel, sugerem um futuro em que as estantes nas casas e livrarias se tornarão obsoletas.

Para substituir completamente os livros de papel, porém, os e-books ainda precisam desbravar prateleiras intocadas pela febre digital: as de bibliotecas. Na última semana, atendendo a demandas de usuários, a Amazon anunciou uma parceria com 11 mil bibliotecas americanas para permitir empréstimos de livros digitais. A Amazon não dá detalhes sobre o funcionamento do sistema, mas afirma que ele deverá começar a funcionar ainda neste ano. A iniciativa é uma resposta ao Lendle, um site não oficial que permite aos usuários trocar livros digitais entre si por 14 dias. Em março, a Amazon bloqueou o serviço por “não aumentar as vendas de produtos e serviços”. Após protestos, os empréstimos foram restabelecidos.

O breve entrevero entre a Amazon e o Lendle mostra o desafio da nova etapa de popularização dos e-books. Pela primeira vez, a proliferação do livro digital pode ir de encontro aos interesses das livrarias on-line e editoras. Até agora, as vantagens oferecidas pela Amazon – conexão 3G para usuários do Kindle, download de amostras de livros e aplicativos gratuitos para várias plataformas – tinham o objetivo de aumentar as vendas de e-books, rumo à liderança.

No caso da parceria com as bibliotecas, o benefício comercial não é tão claro. Algumas editoras já impõem barreiras contratuais para empréstimos de seus livros. A Harper-Collins anunciou que seus e-books podem ser emprestados no máximo 26 vezes; depois disso, a biblioteca teria de comprar um novo exemplar. No mundo analógico, seria o equivalente a obrigar a biblioteca a descartar um livro e comprar outro após um certo número de empréstimos. Se distorções como essa não forem superadas, a biblioteca digital talvez nunca saia do papel.

VENTICINQUE, Danilo. Revista Época, n. 676, 2 maio 2011, p. 139.

Quase láEmbora sejam um sucesso, os e-books ainda não cumprem todas a funções de um livro de papel

VANTAGENS

DESVANTAGENS

Portabilidade

É possível ler o mesmo livro em vários lugares diferentes (no computador de casa, no trabalho, no celular) sem carregá-lo debaixo do braço

O fim da dedicatória

Para desespero dos fãs, é impossível autografar um e-book. Há aplicativos para contornar o problema, mas sem o valor das assinaturas físicas.

Anotações à vontade

É possível fazer anotações nos e-books sem pudores ou medo de deixar marcas. A versão mais recente do Kindle permite compartilhar as notas na internet.

Sem consulta

Até agora, não é possível pegar livros emprestados em bibliotecas nem acessar grandes acervos de livros ainda não digitalizados.

Preço

Além de custar menos que as edições de papel (de 15% a 20% em média), os livros e revistas digitais podem ser importados sem taxas ou frete.

Invendáveis

Se você não aguenta mais ver um e-book em sua estante digital, a única opção é deletá-lo. Não há como vendê-lo ou passá-lo para a frente.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O que é uma RESENHA?

Para início de conversa, entre no seguinte site para obter informações básicas sobre o que é uma resenha:
PLANO GLOBAL DE UMA RESENHA ACADÊMICA
1. A seguir, veja os exemplos de resenhas citados no quadro abaixo, faça uma leitura rápida delas, buscando informações que o auxiliem a completar o quadro.
Obra resenhada
Autor da obra
Contextualização da obra
Tema da obra
Nome do resenhista
Área de conhecimento da obra
Obras citadas na resenha
Veículo em que a resenha foi publicada
2. Leia o artigo “Marco civil e a proteção da privacidade" e faça a resenha dele. Para tanto, use as resenhas lidas como modelos.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Como escrever na internet

Escrever na internet nem sempre se revela uma tarefa fácil. Muitas vezes, as pessoas cometem alguns deslizes na comunicação via e-mail, em posts em blogs, em chats.

Por isso, o link abaixo pode ser muito útil, pois apresenta um guia da chamada Netiqueta, isto é, um guia de comportamento para se expressar no meio virtual:

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

DICAS PARA DEFESA DE TRABALHOS

O texto a seguir, embora tenha como público-alvo estudantes de pós-graduação, traz algumas dicas úteis para quem deve apresentar trabalhos de conclusão (de curso ou de módulo) a uma banca examinadora. Confira.
Postura diante da banca
Celia Ribeiro

Concluído o preparo para defender a dissertação de mestrado ou a tese de doutorado perante a banca examinadora, os candidatos enfrentam dúvidas sobre o traje e a postura durante a apresentação. A escolha da roupa depende da faixa etária e do estilo. Há homens que comparecem de gravata e terno completo ou blazer. Este será em estampa príncipe de Gales ou tecido preto liso com botões dourados e calça lisa cinza. Uma calça jeans clássica é elegante também e descontrai o visual para a ocasião.
Hoje o que se observa mais são os candidatos se apresentarem sem paletó, de camisa social branca, em suaves tonalidades de azul, amarelo, rosa ou verde. Nesses casos, um cinto de qualidade será complemento indispensável. Importante para quem está de terno é calçar sapato escuro de cadarço. Mocassim fica para o candidato vestido de modo mais descontraído, sem esquecer que a meia será sempre escura como o sapato ou na cor da calça. Tênis não. De chegada, causa boa impressão o visual correto de um homem, com ou sem gravata, corte de cabelo impecável ou preso sobre a nuca se for longo.
A mulher, diante da banca, sabe que pode estar tanto de saia como de terninho, optando por uma cor de esmalte de unhas sem os modismos que desviam a atenção do seu rosto e do que está dizendo, como causam as bijuterias vistosas. Grandes decotes só debaixo de boleros.
Ficar com a mão no bolso ao apontar para o telão ou deixar as duas nos bolsos ao falar e ouvir uma pergunta do examinador é gafe numa situação formal como esta. Gesticular normalmente, sem abrir muito os braços, nem balançar o corpo, é a postura certa. O olhar estará dirigido ao telão e à banca examinadora para estabelecer a comunicação. Como os membros da banca passam algum tempo olhando a versão impressa da dissertação, o candidato olhar de vez em quando para a plateia ajuda a não parecer ignorado e conquistar a simpatia do público.
Zero Hora, 21 nov. 2010, p. 21. (Caderno Donna)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Qualidades valorizadas pelo mercado de trabalho

O QUE ELES PROCURAM

Recrutadores enumeram características comportamentais dos candidatos mais valorizados atualmente pelas empresas em processos de seleção

Há qualidades que sempre serão essenciais para profissionais de qualquer área de atuação, como responsabilidade, comprometimento, pontualidade e organização. Porém, o mercado mais dinâmico e competitivo, passou a classificar como fundamentais aptidões que antes ficavam em segundo plano. Características como capacidade de trabalhar em grupo, facilidade de comunicação e empreendedorismo são mais valorizadas.

Segundo Irene Azevedo, consultora sênior da DBM Consultoria, as solicitações variam de uma empresa para outra. Em geral, diz a especialista, hoje são muito procurados funcionários com habilidade para aprendizagem contínua e autoconhecimento:

- A pessoa que tem consciência das suas competências e dificuldades saberá direcionar melhor a carreira e será mais útil para a organização.

Segundo Lourdes Lovison, gerente de projetos da Advis Consultoria, passado o período em que se exigiam profissionais especializados, hoje valoriza-se a polivalência, a visão sistêmica e a humildade para aprender. Dependendo da função, uma competência terá mais peso que outra.

- Para um profissional da área comercial, o nível de pró-atividade terá de ser mais alto que o do projetista de hardware/software, mas ambos precisam ter foco em resultado no mesmo nível. O grau de concentração do projetista provavelmente deverá ser maior que o do executivo comercial, mas ambos deverão ter igual grau de criatividade – exemplifica Lourdes.

Nem sempre é possível reunir todas as habilidades desejadas. Por isso, alerta a psicóloga Roberta Lopes do Nascimento, consultora organizacional e de carreira e diretora executiva da empresa Núcleo Médico Psicológico, a autodisciplina e a vontade de aprender são fundamentais:

- Sempre se pode aperfeiçoar certas características. Mas eu sempre aconselho que se faça um processo de coaching, porque é muito difícil conseguir um resultado sozinho.

O perfil desejado

Qualidades profissionais essenciais por área:

Técnica: Comprometimento, inovação, cumprimento dos prazos.

Operacional: Disciplina, atenção, dinamismo.

Gerencial: Trabalho em grupo, senso de urgência, dinamismo.

TI: Detalhismo, criatividade, foco em resultados.

Comercial: Comunicação, negociação, relacionamento interpessoal.

Humanas: Afetividade, relacionamento interpessoal, assistência.

Financeira: Organização, cumprimento de prazos, atenção.


Competências necessárias para profissionais de todas as áreas:

Comprometimento, prontidão para mudança, pró-atividade, bom relacionamento interpessoal, capacidade de trabalhar em grupo, capacidade de comunicação, organização, postura auto-orientada, persistência, liderança, entusiasmo, otimismo.

EM ALTA

Trabalho em grupo, boa comunicação, resiliência (capacidade superação), foco em resultados, inteligência emocional e cognitiva, pensamento flexível, empreendedorismo, poder de adaptação, visão geral da empresa, capacidade de aprendizado.

EM BAIXA

Padrões rígidos, falta de sociabilidade, desatualização, inflexibilidade, não valorizar qualidade de vida, workaholics.

(VARGAS, Maria Amélia. Zero Hora, 7 nov. 2010, p. 2 – Empregos e Oportunidades)

domingo, 24 de outubro de 2010

Atividades de coesão textual

As atividades a seguir foram adaptadas de prova seletiva do IFSul.

Leia o texto a seguir.

Contra o homem obsoleto

Antes de dizer “não” à tecnologia, você já a vestiu. Olhe para sua calça! Não há um zíper aí? Pois então: é tecnologia. Os tecidos sintéticos, a manufatura do sapato, a máquina do relógio – você, leitor, é um cabide de tecnologia. Para comprar essa roupa, você pegou algum veículo motorizado, foi até a loja, escolheu, deu um cheque ou cartão de crédito. Para a roupa ir da fábrica até a loja, também precisou de veículo, cálculo, logística... O pente, o xampu, o perfume, o sabonete, tudo o que você usou antes de vestir a roupa também precisou de tecnologia. Polímeros, já ouviu falar? Já esteve numa indústria que produz xampu e visitou seu departamento de pesquisa? Cada microscópio daqueles usa... tecnologia. Por sinal, já nem sequer existem laboratórios sem computadores. Toda essa revolução da biogenética a que estamos assistindo hoje nada seria sem os computadores. Assim, como você ninguém mais consegue imaginar sua vida sem TV, CD, rádio, PC, telefone e todas essas outras incontáveis siglas que cabem no armário da tecnologia.

Ah, sim, existem roupas cuja função parece mais a de ostentar uma etiqueta do que vestir-se confortavelmente. Alimentos devem vir direto da natureza, sem agrotóxicos, frescos como o orvalho. Celulares irritam, como ironizou memoravelmente Ettore Scola no filme O Jantar, quando o restaurante inteiro procura o telefone que está tocando. Certas pessoas acham que ter o carro e a engenhoca de última geração é ser como um extraterrestre no meio de um bando de gente obsoleta. O “fast-food” e o entretenimento abusam da tecnologia para fingir que não são aquilo que são por excelência: descartáveis. Nossa carteira tem tanto cartão que nem sabemos as tantas utilidades que nos fizeram subscrevê-lo. Os e-mails entopem a memória do computador, e o DVD que você comprou não serve para a área geográfica do aparelho.

Ao voltar, reler e analisar os elogios à tecnologia no primeiro parágrafo e as críticas no segundo, é possível reparar que as críticas não são à tecnologia, mas ao modo como ela nos domina ou domina nossa vida cotidiana, ampliando o estresse e a frustração. Sem tecnologia o homem não é nada. Sem tecnologia – atenção, Brasil – um país não é nada. Os produtos, as logísticas e os entretenimentos, sem tecnologia, seriam muito mais toscos e caros. Mas a tecnologia sem os homens e os países também não é nada. É da criatividade sem fronteiras daquele cientista indiano que trabalho em Londres ou daquele japonês que dá aula nos Estados Unidos que vem a esperança do homem no homem, tanto quanto dos direitos civis, dos acordos de paz, da possibilidade de comer todo dia, das artes e suas interpretações. É a pesquisa em ciência e tecnologia que faz o ser humano lembrar que tem a faculdade de resolver problemas, especialmente os que ajudou a criar.

Ora, quem criou a bomba atômica não foi a tecnologia, foi o homem que um dia se viu da realidade de sua construção. Assim, a mesma tecnologia pode espalhar uma mensagem atômica pelos quatro cantos do mundo para dizer que ela, tecnologia, é uma roupa que vestimos porque precisamos e queremos – e a qual podemos também tirar quando queremos e precisamos.

(Adaptado de Daniel Piza. In: Revista Classe, 2006, p. 28)

1. Observe as afirmativas abaixo:

I. No primeiro parágrafo, o autor faz o leitor refletir sobre os benefícios trazidos pela tecnologia no nosso cotidiano, fato que, muitas vezes, passa despercebido por nós.

II. No segundo parágrafo, o autor ignora, ironicamente, a questão de como a tecnologia, às vezes, atrapalha o dia a dia das pessoas.

III. No terceiro parágrafo, o autor aborda a ideia de que a tecnologia é importante para o desenvolvimento de um país, fomentando a criatividade e a busca de soluções para os problemas.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)

a) I e II apenas. b) I e III apenas. c) III apenas. d) I, II e III.

2. Do texto, NÃO é possível inferir que

a) o homem utiliza de forma indevida algumas tecnologias.

b) a tecnologia é responsável pelo desencadeamento de problemas irreversíveis à humanidade.

c) o progresso de um país depende de seu investimento em tecnologia.

d) o avanço científico permite maior acesso a bens de consumo.

3. Observe:

Para a roupa ir da fábrica até a loja, também precisou de veículo, cálculo, logística... (linhas 4 e 5)

Qual dos conceitos abaixo vai ao encontro do significado da palavra em negrito?

a) Área da administração que cuida do transporte e armazenamento de mercadorias.

b) Doutrina que pretende serem as relações empresariais redutíveis às relações da lógica.

c) Conjunto de estudos tendentes a expressar, em linguagem racional, as estruturas do pensamento.

d) Sistema de ideias, princípios e valores que buscam a logicidade na execução de atividades industriais.

4. Em qual alternativa o pronome destacado NÃO se refere à expressão indicada?

a) seu – indústria (parágrafo 1)

b) que – revolução da biogenética (parágrafo 1)

c) cuja – roupas (parágrafo 2)

d) sua – realidade (parágrafo 4)

5. Paralelismo é uma convenção da linguagem que consiste em apresentar ideias similares de uma forma gramatical idêntica. Dessa forma, é importante que, na organização de um período, os elementos possuam uma mesma função sintática e classe gramatical idêntica.

Levando em conta a afirmação acima, qual das construções apresenta quebra de paralelismo?

a) O autor do texto afirma que a tecnologia é indispensável ao desenvolvimento de um país e que o homem tem o dever de utilizá-la adequadamente, visando a diminuir as desigualdades sociais.

b) O autor do texto afirma ser a tecnologia indispensável ao desenvolvimento de um país e ter o homem o dever de utilizá-la adequadamente, visando a diminuir as desigualdades sociais.

c) O autor do texto afirma ser a tecnologia indispensável ao desenvolvimento de um país e que o homem tem o dever de utilizá-la adequadamente, visando a diminuir as desigualdades sociais.

d) O autor do texto afirma não só que a tecnologia é indispensável ao desenvolvimento de um país como também que o homem tem o dever de utilizá-la adequadamente, visando a diminuir as desigualdades sociais.

6. Justifique o uso dos pronomes demonstrativos em negrito no primeiro parágrafo.

7. Pronomes relativos são palavras que representam nomes já referidos e estabelecem relação entre duas orações. Ao empregá-los, devemos levar em conta a regência dos nomes ou verbos a que estão subordinados. Assim, antes do pronome relativo, deve ocorrer a preposição que for exigida pelo termo ao qual ele estiver associado. Ex.: Toda essa revolução biogenética a que estamos assistindo hoje...

Complete as frases abaixo, identificando a relação adequada:

a) Tecnologia voltada para o social é uma realidade __________ todos sonhamos.

b) A energia nuclear é uma tecnologia avançada ___________ benefícios não podemos nos esquecer.

c) O progresso ___________ lutamos pode trazer como consequência a poluição do meio ambiente.

8. Observe:

Sem tecnologia o homem não é nada. Sem tecnologia – atenção, Brasil – um país não é nada.

Você concorda com essa afirmação? Construa um parágrafo expondo e justificando seu ponto de vista a respeito dessa questão.

Mecanismos de coesão textual


Elementos de referência

Como já vimos, para garantir que suas ideias cheguem ao leitor exatamente da forma como pretende, com a palavra mais precisa e a frase mais adequada, você deverá fazer uso dos mecanismos de ligação apropriados. Afinal, são eles os responsáveis pelo encadeamento das ideias, pela progressão textual e, consequentemente, pela maior ou menor aceitabilidade de seus textos.

Observe, por exemplo, o trecho a seguir:

A água é o maior recurso natural que possuímos. A água está sendo desperdiçada. Para não faltar água, as pessoas precisam racionar e usar a água de forma inteligente.

Se as pessoas economizarem água, ela não vai faltar para nossos filhos e para os nossos netos, preservando o futuro de nossos filhos, de nossos netos e do próprio planeta.

Provavelmente ele não será bem aceito pelo leitor, principalmente por causa das repetições excessivas de certas palavras.

Um jeito eficaz de estabelecer a coesão é recorrer ao uso de sinônimos ou de pronomes, além de unir duas ou três frases numa só, tornando o texto mais conciso. Veja:


A água, nosso maior recurso natural, não é utilizada de forma racional e inteligente. Precisamos aprender a economizá-la, para que não falte a nossos filhos e netos. Dela depende até mesmo a sobrevivência do planeta.


Sinônimos e pronomes são chamados mecanismos de referência, pois estabelecem a coesão textual substituindo palavras já mencionadas ou a mencionar.

Alguns pronomes merecem uma atenção especial em seu emprego, como os pronomes demonstrativos, por exemplo. Observe a tira abaixo:

DAVIS, Jim. Garfield está de dieta. Porto Alegre: L&PM, 2005. p. 126.

No primeiro quadrinho, o balão deve ser completado com o pronome esta:

Esta fica legal, não fica?”

O uso do demonstrativo feminino singular esta justifica-se, pois se refere à roupa e indica a sua proximidade de quem fala, no caso, Jon, que está vestindo-a.

Já no segundo quadrinho, o pronome apropriado seria essa:

Legal não faz justiça a essa roupa.”

Por quê?

Porque quem faz tal afirmação, Garfield, está menos próximo do objeto que o pronome designa, isto é, da roupa.

Os pronomes demonstrativos, portanto, costumam revelar uma noção espacial, como você pode visualizar no quadro a seguir:

Noção espacial

Noção temporal

Formas variáveis

Formas invariáveis

Proximidade da pessoa que fala ou coisa muito próxima

Presente

Este, esta, estes, estas

Isto

Proximidade da pessoa com quem se fala ou coisa pouco distante

Passado recente ou futuro próximo

Esse, essa, esses, essas

Isso

Proximidade da pessoa de quem se fala ou coisa muito distante

Passado remoto

Aquele, aquela, aqueles, aquelas

Aquilo

No interior dos textos, os pronomes demonstrativos também podem assinalar noção de proximidade entre as palavras e, assim, exercer o papel de elemento de coesão. Veja:

“Segundo ela [a engenheira de pesca Ana Paula Prates], as unidades de conservação contemplam cerca de 80% dos recifes rasos e mapeados, ‘mas isso não significa que a maioria dos recifes esteja protegida’, explica.” (Revista Galileu, n. 151, fev. 2004, p. 61)

O pronome isso é usado como referência textual, já que retoma o trecho “as unidades de conservação contemplam cerca de 80% dos recifes rasos e mapeados”, já mencionado.

Quando se pretende fazer referência a algo que ainda será dito, usa-se isto:

É isto que eu digo sempre: ler é fundamental.

Também podemos usar os demonstrativos para referenciar dois ou três elementos já citados, como na seguinte frase:

A Microsoft e a Sony vão lançar no Brasil dois produtos que prometem alterar a forma como vemos os games: o Kinect e o Move. Este, da japonesa, se liga ao PlayStation 3; aquele, da empresa de Bill Gates, funciona com o console Xbox 360.

Este retoma Move, o último a ser mencionado (+ próximo), enquanto aquele refere-se a Kinect, mencionado primeiro (+ distante no texto).

Resumindo:

Pronomes demonstrativos como referência textual

O que vai ser mencionado: este/esta/isto.

O que se mencionou antes: esse/essa/isso.

Entre dois ou três fatos citados: o primeiro que foi citado = aquele/a; o do meio = esse/a; o último citado = este/a.

Exemplos:

Meu irmão vive repetindo este provérbio: “Casa de ferreiro, espeto de pau”.

“Casa de ferreiro, espeto de pau.” Meu irmão vive repetindo esse provérbio.

O fumo é prejudicial à saúde; isso já foi comprovado cientificamente.

O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser preservada.

Além dos demonstrativos, os pronomes relativos também merecem um cuidado especial em sua utilização.

Dois dos problemas mais comuns na construção dos textos dizem respeito a, principalmente, dois pronomes relativos muito usados: que e onde.

Emprego excessivo do pronome relativo QUE

Observe a frase a seguir:

“As pessoas que assistem à televisão acabam se tornando máquinas que irão consumir os produtos que a TV vende.”

Você pode perceber que ela é confusa e desagradável pela abundância do relativo que. Há várias possibilidades de alteração da frase para eliminar esse excesso. Dentre tais possibilidades, destacamos quatro fundamentais:

1ª. possibilidade: Substituir por um substantivo, geralmente acompanhado de complemento.

  1. O jornalista, que redigiu a reportagem sobre cibercultura, será premiado.
  2. O jornalista, redator da reportagem sobre cibercultura, será premiado.

2ª. possibilidade: Substituir a oração por um adjetivo.

  1. Você tem uma letra que não se pode ler.
  2. Você tem uma letra ilegível.

3ª. possibilidade: Substituir a oração iniciada com o relativo que por uma reduzida de gerúndio.

  1. Fez-se um relatório que descreve o desenvolvimento do projeto.
  2. Fez-se um relatório descrevendo o desenvolvimento do projeto.

4ª. possibilidade: Substituir a oração iniciada com o relativo que por uma reduzida de particípio.

  1. Soube das novidades pela reportagem que foi publicada no blog.
  2. Soube das novidades pela reportagem publicada no blog.

Emprego inadequado do pronome relativo ONDE

Observe a frase:

A cidade onde moro é linda.

O pronome relativo onde é usado para fazer referência a “cidade”, um local. Isso porque o relativo onde quer dizer “o lugar em que”. Assim, só devemos usá-lo quando o termo antecedente for um local, um lugar.

Frequentemente, porém, observa-se o emprego do relativo onde sem que haja qualquer referência a lugar. Tal uso deve ser evitado.

Observe esta frase:

“Até agora, usamos todos os seletores para selecionar os filhos ou filtrar a seleção atual. Existem situações onde você irá precisar selecionar os anteriores ou próximos elementos, conhecidos como siblings (filhos do mesmo pai). Pense em uma página de um FAQ, onde todas as respostas estão escondidas em um primeiro momento e são exibidas quando a questão é clicada.” (Por onde começar com o jQuery. Disponível em: http://i18n.2kminterativa.com.br/jquery/jquery-getting-started-pt_br.html. Acesso em 23/12/08)

Nesse caso não se admite o emprego de onde, que deve ser substituído por em que.

“[...] Existem situações em que você irá precisar selecionar os anteriores ou próximos elementos, conhecidos como siblings (filhos do mesmo pai). Pense em uma página de um FAQ, em que todas as respostas estão escondidas em um primeiro momento e são exibidas quando a questão é clicada.”

Em outras situações, o onde é usado, equivocadamente, para dar ideia de tempo:

"Esse acontecimento ocorreu no ano de 1999, onde todos tinham medo da chegada do novo milênio.”

Nesse caso, para se fazer referência a tempo, deve-se usar quando:

"Esse acontecimento ocorreu no ano de 1999, quando todos tinham medo da chegada do novo milênio"

Como é possível perceber, a elaboração de textos coesos exige treino, consulta a dicionários, releitura e disposição para reescrever frases e parágrafos. Ler em voz alta também ajuda a perceber repetições e eliminar construções desagradáveis.