domingo, 12 de setembro de 2010

Atividade de estrutura frasal

O trecho a seguir foi extraído do livro A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento, de Georges Perec (escritor que fez parte do grupo OuLiPo). Essa pequena obra foi escrita em 1968, baseada num organograma homônimo entregue ao escritor por seu amigo Jacques Perriault. Através de um jogo obsessivo de possibilidades (à maneira de um manual antecipatório), o texto revela o ridículo das ações e das expectativas mais prosaicas do mundo do trabalho.

Como o texto foi baseado em um organograma, foi escrito como um fluxo contínuo, sem pontuação de nenhum tipo. Sua tarefa é simples: pontuá-lo dividindo-o em frases e orações.

Tendo refletido judiciosamente tendo tomado coragem você decide procurar seu chefe imediatamente para pedir um aumento vai então procurar seu chefe imediato digamos para simplificar que ele se chame senhor xavier isto é senhor ou melhor sr x então você vai procurar o sr x e das duas uma ou bem o sr x está na sala dele ou bem o sr x não está na sala dele se o sr x estivesse na sala dele não haveria aparentemente nenhum problema mas é claro que o sr x não está na sala dele e a você não resta portanto nada a fazer além de aguardar à espreita no corredor a volta ou a chegada dele mas suponhamos não que ele não chegue nesse caso só lhe restaria uma solução retornar à sua própria sala e esperar a tarde ou o dia seguinte para recomeçar sua tentativa mas o que se vê todos os dias é que ele demora a voltar nesse caso o melhor que você tem a fazer em vez de ficar andando de um lado para outro no corredor é ir ter com a sua colega srta y que para dar mais humanidade à nossa seca demonstração chamaremos doravante srta yolanda mas das duas uma ou a srta yolanda está na sala dela ou a srta yolanda não está na sala dela se a srta yolanda estiver na sala dela não haverá aparentemente nenhum problema mas suponhamos que a srta yolanda não esteja na sala dela nesse caso ficando subentendido que você não tem vontade de prosseguir andando de um lado para outro no corredor à espera da volta hipotética ou da chegada eventual do sr x uma única solução se lhe oferece dar um giro pelas diversas seções cujo conjunto constitui a totalidade ou parte da organização que o emprega e depois voltar à sala do sr x na esperança de que dessa vez ele tenha chegado ou das duas uma que o sr x esteja em sua sala ou que o sr x não esteja em sua sala admitamos que ele não esteja então você vai ficar à espreita aguardando sua volta ou sua chegada andando de um lado para outro no corredor sim mas suponhamos que ele demore a chegar nesse caso você vai ver se a srta yolanda está na sala dela e das duas uma ou bem ela está ou bem ela não está se ela não estiver o melhor que você tem a fazer é dar um giro pelas diversas seções cujo conjunto constitui a totalidade ou parte da organização que o emprega mas suponhamos antes que ela esteja na sala dela a srta yolanda nesse caso das duas uma ou bem a srta yolanda está de bom humor ou bem a srta yolanda não está de bom humor suponhamos para começar que a srta yolanda não esteja mas nem um pouco de bom humor nesse caso sem querer desencorajá-lo dê um giro pelas diversas seções cujo conjunto constitui a totalidade ou parte da organização que o emprega e em seguida volte à sala do sr x contando que ele tenha chegado pois das duas uma ou o sr x vai estar na sala dele ou o sr x não vai estar na sala dele assim como você pois se você não está na sua sala então por que é que o sr x deveria estar na dele talvez ele esteja na sua sala e não na dele justamente com a intenção de lhe passar um sabão quando você voltar ou talvez ele esteja andando de um lado para outro diante da sala do chefe dele que se chama zóstenes e que chamaremos doravante sr z então o sr x não está na sala dele e por conseguinte você aguarda a volta ou a chegada dele andando de um lado para outro no corredor contíguo à sala dele.

(PEREC, Georges. A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 7-9.)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

FATORES RESPONSÁVEIS POR RUÍDOS DA COMUNICAÇÃO

Já vimos que a comunicação pode ser afetada por ruídos – bloqueios e desvios. Alguns deles são previsíveis e, portanto, podem ser evitados. Por isso, veremos agora os principais fatores responsáveis pela produção de ruídos.

A preocupação

Um ouvinte preocupado não é bom receptor, qualquer que seja o tipo da comunicação. E você sabe por quê? Porque, além da comunicação interpessoal, isto é, a comunicação de uma pessoa com outras, existe a chamada comunicação intrapessoal: a comunicação que uma pessoa tem consigo mesma.

Expectativas e referências anteriores desfeitas

Ocorre quando o emissor dá ao receptor a impressão de que não vai apresentar nenhuma informação nova ou relevante. Essa impressão lhe é passada porque o emissor inicia a fala com as mesmas palavras já ouvidas inúmeras vezes, ou então, porque o emissor se perde em digressões longas e desnecessárias em vez de ir “direto ao ponto”.

Dificuldades de expressão

Você provavelmente já se deparou com alguma situação em que alguém começa a falar determinado assunto e, de repente, trava. Ou esquece por completo o que ia dizer – o famoso “branco” – ou “empaca” em uma palavra que simplesmente insiste em não lhe vir à mente. Há ainda aqueles casos em que a pessoa chega “cheia de gás” para falar e, quando abre a boca, tropeça na pronúncia das palavras, gagueja e, ao final, não consegue exprimir a ideia pretendida. Todas essas situações são exemplos de dificuldades de expressão, que, em geral, têm um efeito desastroso.

As suas causas podem ser diversas. As principais são a inibição, a timidez e o desconhecimento do vocabulário.

Ambiente físico desfavorável

Como o ambiente físico interfere na comunicação? Bem, um ambiente sem iluminação e ventilação adequadas é o bastante para comprometer a qualidade da comunicação. Se a isso se somar assentos desconfortáveis e recursos instrucionais – principalmente os audiovisuais - deficientes será muito difícil obter um índice aceitável de atenção e assimilação por parte dos receptores. Para pôr abaixo definitivamente qualquer tentativa de comunicação, só faltam dois elementos – que às vezes ocorrem: interrupções frequentes e barulho externo excessivo.

Problemas fisiológicos

Dormir, beber, comer, urinar, evacuar são algumas das atividades chamadas fisiológicas por serem indispensáveis aos processos e atividades de funcionamento do corpo. A satisfação de tais necessidades é fundamental para manter a atenção do receptor.

domingo, 8 de agosto de 2010

Um novo perfil do profissional de TI

Capacidade de se comunicar e de se relacionar é uma das principais exigências do mercado

Acompanhando as mudanças tecnológicas, as características exigidas para um profissional da área também sofreram alterações. A ideia de que o pessoal que lida com computadores não precisa se comunicar está ultrapassada. Se antes bastava entender as ferramentas e saber executá-las, hoje é preciso também ter boa capacidade de se relacionar.

Priscila Azevedo, coordenadora do departamento de carreira da Veris Faculdades, de São Paulo, diz que, com a implantação de multinacionais no Brasil, há grande necessidade de que este profissional fale outras línguas.

- O mercado tem muita carência de profissionais com inglês fluente. Tanto que algumas empresas preferem contratar alguém que saiba falar o idioma mesmo que precise treiná-lo depois – diz Priscila.

Segunda Ana Cláudia Machado, gerente de recursos humanos da Processor Informática, além da qualificação técnica, quem quer seguir carreira de tecnologia hoje precisa ter boa disposição. Isso porque, cada vez mais, o setor de TI precisa de pessoas capazes de transmitir informações.

- Não adianta criar um sistema e não saber como explicar o seu funcionamento ao cliente – explica Ana Cláudia.

Carlos Henrique Andrade, 30 anos, decidiu fazer uma pós-graduação em TI que também o qualificasse para a gestão de pessoas. Com o objetivo de expandir seus horizontes profissionais, o físico que trabalha como bancário viu no curso uma maneira de se atualizar:

- A minha pretensão é buscar inovação e agilizar os sistemas de trabalho. Gostaria de poder contribuir unificando a estratégia do negócio com a tecnologia. Assim, acredito que terei maiores oportunidades na minha carreira.


ÁREAS DE TRABALHO

Confira atividades na área de TI e a qualificação necessária:

ADMINISTRADOR DE CONTRATOS: É o que se chama de governança em TI. O profissional verifica se os sistemas estão de acordo com as leis. É ele que vai cuidar da parte jurídica e financeira, negociar prazos, valores, descontos, acréscimos. Cuida, inclusive, das questões contratuais trabalhistas.

Qualificação: curso superior em Administração ou Direito. Precisa ter conhecimento da empresa em que trabalha e não necessariamente entender da parte técnica.


ADMINISTRADOR DE REDES: Cuida da segurança da informação, como senhas, proteção contra hackers. Também é responsável por colocar os sistemas das empresas trabalhando em rede e credenciar os usuários. Os bancos absorvem bastante esses profissionais.

Qualificação: graduação em TI, domínio de inglês e uma certificação ou curso de extensão na área.


ANALISTA DE PROCESSOS: Profissional que tem uma visão sistêmica da empresa. Faz uma análise do que a empresa precisa, de que forma o sistema vai impactar nas outras áreas. É estratégico para a redução de custos.

Qualificação: curso superior em Administração ou em TI, uma certificação Black Belt ou Green Belt (específicas para análise de processos).


DESENVOLVEDOR DE SISTEMAS: Trabalha com o produto e com o pós-venda. Precisa ter conhecimentos em programação, porque ele é que vai programar o sistema de acordo com a demanda do cliente. É bastante valorizado atualmente.

Qualificação: graduação, uma certificação ou um curso de extensão.


ENGENHEIRO/GERENTE DE PRODUTOS: É o responsável pela construção do produto. Verifica as necessidades do cliente e avalia se já existe um sistema que pode atender à demanda ou se terá de desenvolvê-lo. Precisa ter conhecimentos na área de redes.

Qualificação: graduação em engenharia e pós-graduação.


ESPECIALISTA EM VENDAS CONSULTIVAS: Profissional da área comercial que provê consultoria e serviços na área. Precisa conhecer em profundidade o serviço que vai vender.

Qualificação: conhecimentos na área comercial e em tecnologia.


GERENTE DE PROJETOS: É a pessoa responsável por coordenar a equipe de projetos, gerenciar prazos, recursos humanos e financeiros, reportar o status do projeto e negociar status de trabalho. Esse profissional precisa dominar a tecnologia de informação, pois vai acompanhar os processos.

Qualificação: graduação em tecnologia, segundo idioma e pós-graduação em gestão de projetos ou uma certificação.


GERENTE DE TI: É um profissional que está preparado para gerenciar uma empresa de TI, não apenas um projeto. Precisa conhecer de tudo um pouco na área, principalmente de leis e de governança de TI.

Qualificação: graduação em TI, pós-graduação, MBA e domínio de idiomas.


Zero Hora, 15 nov. 2009 (Empregos e Oportunidades)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

CONSTRUÇÕES PARALELÍSTICAS

As expressões sublinhadas no texto do post anterior seguem um princípio de construção sintática denominada Paralelismo.

Para saber mais sobre Paralelismo (sintático e semântico), consulte o endereço a seguir:

segunda-feira, 31 de maio de 2010

QUALIDADES E DEFEITOS DO TEXTO (1)

No texto a seguir, alguns termos foram grifados e certas expressões foram sublinhadas. Dê o significado das palavras negritadas no texto e justifique gramaticalmente o emprego das palavras e/ou expressões sublinhadas.

CINCO PRAGAS DA REDAÇÃO EMPRESARIAL[1]

Maria Helena da Nóbrega[2]

A redação empresarial possibilita a formalização escrita das atividades desenvolvidas nas instituições comerciais. Trata-se do registro formal da correspondência interna e externa ou do relato de uma situação profissional. Assim, comunicados, memorandos, cartas comerciais, relatórios etc., se bem escritos, fornecem um histórico de suma importância para as empresas, seja para resgatar etapas de um negócio efetivado com sucesso, seja para analisar por que determinada proposta não foi bem sucedida.

Se mal elaborada, a redação comercial não persuade. Propostas ambíguas levam a maior desperdício de tempo, para tentar entender a mensagem. Como a maioria não dispõe de tempo para decifrar textos intrincados, perdem-se negócios. Se a incomunicabilidade redacional se mantiver, haverá perda de credibilidade, ou seja, não haverá fidelização dos clientes ou consumidores, que terão uma predisposição ao descaso em relação a todas as mensagens veiculadas pela empresa.

Empresas de renome sabem da importância de ter funcionários com habilidades comunicacionais bem alicerçadas. Por isso cada vez mais solicitam redação nos processos de seleção. Elas procuram quem sabe se comunicar bem, pois esses funcionários irão representá-las e ajudarão a criar uma imagem positiva da empresa.

Como escrever

Os textos comerciais obedecem a uma unificação redacional que facilita a comunicação entre as empresas. No entanto, é preciso observar que essa padronização sofreu alterações simplificadoras. Para se ter uma ideia, a finalização dos textos oficiais, regulada em 1937, apresentava 15 padrões. Hoje, duas fórmulas de despedida. Apesar disso, a permanência de entulhos linguísticos, em alguns textos, ainda atrapalha a rapidez nos negócios.

Em meados dos anos 1980, quando a disputa de mercado passa a ser mais acirrada, as empresas tentam criar algum diferencial que permita sobreviver e ampliar os negócios. Nesse momento há uma atualização do estilo e da linguagem da correspondência empresarial. Essa modernização é notada não apenas na linguagem verbal, mas também no ambiente das corporações.

Há empresas que adotam um dia em que o terno e o tailleur ficam em casa, e os profissionais podem vestir-se em estilo casual para ir trabalhar. Como a roupa é linguagem, tal concessão revela a criação de um ambiente que se expandirá para outras linguagens – as relações entre os colegas ficam menos distantes, as horas de lazer são valorizadas,o poder das decisões sai do eixo vertical e passa a ser mais horizontalizado. Do mesmo modo, essas alterações invadem a esfera da linguagem verbal e renovam o texto empresarial.

Concisão e clareza

A redação empresarial prioriza o estilo conciso e claro. A concisão é necessária pela rapidez das informações. Não há tempo a perder, sobretudo no mundo dos negócios. A clareza impõe-se pela obrigatoriedade de dados precisos, estruturas textuais coesas e coerentes, processos argumentativos persuasivos. Um contrato não será assinado se não houver clareza nas cláusulas propostas. Da mesma forma, investimento financeiro será concedido só se a argumentação for convincente.

O texto comercial atual dá preferência a vocabulário simples, usual, sem expressões herméticas que tentam mostrar erudição, mas dificultam a compreensão. Porém, simplificação vocabular não significa repetição excessiva de certas palavras. É preciso, portanto, que o empresário tenha o hábito da leitura, para transitar sem tropeços pelos sinônimos de que a língua dispõe. Além disso, ele deve familiarizar-se também com expressões próprias do meio empresarial e com os termos teóricos da sua área de atuação. Sem isso, o texto transmitirá amadorismo e fragilizará qualquer proposta profissional.

Hábito de leitura

Tropeços redacionais como os exemplificados nestas páginas são mais facilmente eliminados quando se tem o hábito de leitura de textos bem escritos. Como a redação da correspondência empresarial demanda rapidez, convém redobrar a leitura de livros específicos da área do profissional e outros, pois essa atitude trará ampliação do vocabulário, o que facilitará a redação de textos coesos e coerentes.

Acrescente-se a isso particularidades da redação do texto, que deve ser impessoal. A clareza e concisão serão fundamentais na composição da mensagem. A linguagem deve ser culta, ou seja, adequadamente formal. Sem sofisticações desnecessárias – vocabulário simples, mas não vulgar.

Vale a pena consultar o Manual de Redação da Presidência da República (2ª. edição, 2002), que atualiza e uniformiza as normas de redação oficiais. Encontrado no site: www.presidencia.gov.br

A PRAGA DOS CHAVÕES

Na busca de arejamento do texto, dispensam-se chavões e expressões em desuso, que apenas ampliam os caracteres do texto, mas nada acrescentam à mensagem. Eis alguns exemplos de sugestões redacionais:

Em vez de

Use

Acusamos o recebimento de...

Recebemos...

Levamos ao seu conhecimento...

[entrar diretamente no assunto]

Outrossim/Esclarecemos outrossim...

Ainda... OU Também...

Sem mais/Sem mais para o momento/ Sem outro particular/ Sendo o que se nos oferece para o momento...

Atenciosamente

Temos em mãos sua carta...

[entrar diretamente no assunto]

Vimos pela presente/ Vimos por meio desta...

[entrar diretamente no assunto]

A PRAGA DAS REDUNDÂNCIAS

O ritmo acelerado da leitura, bem como a necessidade de objetividade, exige que não apareçam tautologias, afinal, escrever a mesma coisa com outras palavras apenas tomaria mais tempo do (quase sempre) apressado leitor. Assim, deve-se prestar atenção em algumas expressões usuais, mas cuja tautologia não se justifica:

Em vez de

Use

A seu critério pessoal

A seu critério

Comparecer em pessoa

Comparecer

Encarar de frente

Encarar

Inteiramente à disposição

À disposição

Interromper de uma vez

Interromper

Nos dias 20, 21 e 22 inclusive

Nos dias 20, 21 e 22

Planejar antecipadamente

Planejar

Repetir outra vez

Repetir

Retornar de novo

Retornar

Surpresa inesperada

Surpresa

Última versão definitiva

Versão definitiva

Primeira prioridade

Prioridade

Há dez anos atrás

Há dez anos OU Dez anos atrás

A PRAGA DAS PALAVRAS EM EXCESSO

A mesma busca de concisão requer que se evitem circunlóquios ou perífrases, ou seja, dizer em muitas palavras o que se poderia dizer em poucas, como nos exemplos abaixo.

Em vez de

Use

Chegar a uma conclusão

Concluir

Chegar a uma decisão

Decidir

Conduzir uma investigação a respeito

Investigar

Fazer um exame

Examinar

Levar a efeito um estudo

Estudar

Levar a efeito uma tentativa

Tentar

A FALTA DA PADRONIZAÇÃO

No tocante à data, para não iniciar o texto com desvios, convém lembrar que o nome dos meses deve ser grafado em letra minúscula. Se o número que indica o dia do mês for composto de apenas um dígito, não se coloca zero antes dele (7, e não 07). Além disso, no ano não há ponto depois do milhar. Portanto: São Paulo, 3 de novembro de 2008.

Para a saudação final do destinatário, padronizaram-se dois fechos:

a) para autoridades superiores à do remetente: “Respeitosamente,”;

b) Para autoridades da mesma hierarquia ou de hierarquia inferior à do remetente: “Atenciosamente,”.

Todos os textos devem trazer o nome e o cargo do remetente. Não se usa mais colocar traço no local onde a pessoa assinará. Portanto:

(espaço para assinatura)

Sérgio de Abreu

Chefe da Seção

A PRAGA DO TRATAMENTO

No endereçamento, pode-se adotar Senhor ou Senhora e “fica dispensado o emprego do superlativo ilustríssimo para as autoridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares”, conforme o Manual de Redação da Presidência da República (2002, p. 10). Como exemplos:

À Senhora Professora Senhor Diretor do Departamento de Publicidade

Roseli Cunha José de Camargo

A preposição e o artigo (À ou Ao) é facultativa (pode aparecer ou não).

Se o documento for encaminhado a autoridades, deve-se usar a fórmula de tratamento e a invocação pertinentes ao cargo, como na tabela deste quadro.

Em caso de dúvida, a consulta a uma gramática resolverá o problema.

FÓRMULAS DE TRATAMENTO RECOMENDÁVEIS

Cargo

Fórmula

Invocação

Embaixador

Excelência

Exmo. Sr.

Ministro

Excelência

Exmo. Sr. Ministro

Reitor

Magnificência (Magnífico Reitor)

Exmo. Sr. Reitor



[1] Texto originalmente publicado na Revista Língua Portuguesa, n. 38, dez 2008.

[2] Professora do Departamento de Letras Clássicas e vernáculas da USP. Autora de Estratégias de comunicação em grupo.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

TEXTO PARA DISCUSSÃO

LER FAZ DIFERENÇA NO MERCADO DE TRABALHO

Profissionais que falam bem e cometem poucos erros ao escrever têm mais chances de conquistar uma vaga

Lendo pouco, escrevendo mal e se expressando com deficiência ou muitas gírias, profissionais de qualquer nível encontrarão dificuldades de entrar ou crescer no mercado de trabalho. Problemas nesses três pilares – leitura, fala e escrita – são critérios de seleção que muitas vezes não estão explícitos, mas que podem ser usados para diferenciar, e escolher, um ou outro candidato.

Uma situação vivida pela gerente comercial da agência de recrutamento Performance, Vera Garcia, ilustra o cenário. Uma mensagem enviada por e-mail, recheada de erros de português, acendeu o alarme em um dos clientes de Vera. A empresa pediu os comprovantes de escolaridade do funcionário em questão. Para espanto de todos, o colaborador – temporário – realmente tinha curso superior, bacharelado em engenharia.

Se os documentos fossem falsos, talvez todos estivessem mais aliviados. A falcatrua seria uma explicação menos chocante para os erros de grafia do executivo:

- O ensino é muito precário e os executivos, mesmo com diploma universitário, têm dificuldade. Na escrita, é um caos – diz Vera.

O domínio de português dos trabalhadores não está mais baixo em relação a anos passados, opinam especialistas. O consenso é de que os brasileiros escrevem e falam mal como sempre, mas os crimes contra a língua estão aparecendo cada vez mais nas empresas devido à disseminação dos meios eletrônicos de comunicação.

- As pessoas erram feio. É estarrecedor – avalia Augusto Costa, diretor geral da Manpower do Brasil.

O antídoto para o problema é unânime: mais leitura. Eventos como a Feira do Livro [...] são oportunidades para quem precisa estimular o hábito, independentemente da classe econômica, idade ou profissão.

- De modo geral, a gente vê deficiências muito grandes nesta área – lamenta a professora de português da Pontifícia Universidade Católica do Estado e da Escola Técnica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Marisa Smith.

(Alexandre de Santi. Zero Hora, 5 nov. 2006.)

Como melhorar o português

1. Cursos

Podem ajudar a relembrar as regras, mas é importante adquirir o hábito de escrever e ler para gravar como as leis da língua são utilizadas na prática. São raros, porém, os cursos gratuitos. As secretarias estaduais de Educação e Cultura, por exemplo, não souberam indicar nenhum curso de graça no Estado.

2. Hábito de leitura

É consenso que os livros ajudam a reforçar como escrever o bom português e melhorar o raciocínio. Há muitas livrarias na cidade, mas comprar livros pode ser um costume caro. Lembre-se de que sempre é possível pegar livros emprestados ou trocar um exemplar já lido com um amigo. E o sistema estadual de bibliotecas públicas está aberto para fornecer literatura com baixo custo. O Rio Grande do Sul possui 516 bibliotecas públicas.

3. Ler (e reler) o próprio texto

Muitos candidatos são descartados das entrevistas de emprego ainda na fase de seleção porque há erros de grafia nos currículos.

- Erro de português no currículo é imperdoável – diz Augusto Costa, diretor da Manpower, agência de recrutamento.

É importante reler aquilo que foi escrito com paciência. Nesta hora, surgem dúvidas sobre como escrever uma determinada palavra ou conjugar um verbo. Buscar a resposta é um excelente método de manter vivas as regras na cabeça.

4. Saber diferenciar gírias da linguagem culta

Um importante recado para os jovens. O ambiente empresarial aceita apenas a norma culta do português. Gírias devem ser utilizadas só na conversa entre amigos. Com a popularização da linguagem simplificada da internet, muitos jovens levam os neologismos para mensagens de trabalho – e este é um erro.

Segundo os recrutadores, muitas vezes os candidatos são testados, sem perceber, levados a dizer palavras com pronúncia considerada difícil, como “problema”, para saber se o postulante conhece bem a língua portuguesa.

5. Hábito da escrita correta

O e-mail e os comunicadores instantâneos da Internet estão levando mais pessoas a utilizar a escrita diariamente. Alguns não percebem, mas escrever corretamente nestes ambientes é uma boa maneira de adquirir o costume de prestar atenção no bom português.

Fonte: Zero Hora.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

ARGUMENTAÇÃO

Observe, agora, o trecho a seguir.

Nada me impressiona mais nos Estados Unidos do que a revolução da informação. Nenhuma comunidade do planeta tem tanto acesso a qualquer tipo de dado: à frente de um computador, um aposentado de uma pequena cidade do interior, por exemplo, é capaz de salvar a própria vida consultando um médico on-line.

Por isso mesmo, poucas coisas me impressionam mais do que o nível de ignorância no país. O governo federal está colocando, agora, essa ignorância em números – e também está chocado. Um teste nacional sobre história americana, aplicado a 22 mil alunos, acaba de recolher um monumental besteirol. Talvez porque as escolas sejam ruins; talvez porque os pais não se sintam educadores; ou talvez porque eles passem muito tempo na frente da televisão assistindo a lixo – exatamente como no Brasil. [...]

Claro que o Brasil não é exceção. Uma pesquisa DataFolha revela as seguintes pérolas de paulistanos acima de 16 anos: 61% não sabem qual é a capital do Rio Grande do Sul; 18% apontaram o México como país vizinho; 92% não sabem dizer quantos estados tem o país. Esses fatos apenas mostram que não se deve cair na armadilha do deslumbramento tecnológico; de pouco adianta gerar informação sem conhecimento crítico do mundo em que se vive. O que isso gera, de fato, é a ignorância informatizada.

Gilberto Dimenstein, Aprendiz do Futuro – Cidadania hoje e amanhã. Ática, 1997.

Você deve ter percebido uma diferença em relação ao exemplo da exposição: o texto acima não se limita a expor uma ideia, ele procura convencer o leitor a respeito dela. Que ideia é essa? A de que não basta ter acesso à informação, é preciso saber o que fazer com ela, isto é, gerar conhecimento a partir delas. E para convencer o leitor disso, o texto lança mão de determinadas estratégias, como a apresentação de exemplos, dados estatísticos. O autor, portanto, apresenta argumentos para persuadir o leitor de que sua visão sobre algo é verdadeira. Temos um texto argumentativo.

Desde a Antiguidade, diversos estudos têm destacado que a interação social por meio da língua é caracterizada, basicamente, pela argumentatividade. Argumentar é um processo que consiste em explanar, interpretar, ordenar, justificar, relacionar ideias. Através dessas operações, o argumentador busca formar a opinião do leitor/ouvinte, convencê-lo a aderir a um determinado ponto de vista, a tomar partido em um conflito ou escolher um curso particular de ação.

Encontra-se esse procedimento argumentativo em textos que buscam a persuasão, o convencimento, a adesão de quem lê/ouve. A argumentação é um discurso de base que fundamenta textos nos quais se apresenta uma tese que o autor deseja que o leitor/ouvinte aceite. Textos publicitários, matérias opinativas e editoriais, cartas de leitores, entre outros tipos de textos que circulam no meio social, são construídos em torno da exposição de uma tese – a ideia a ser compartilhada – e da apresentação de argumentos que levem o interlocutor a aceitar o posicionamento de quem produz o texto ou a realizar determinada ação.

Para a produção de um bom texto argumentativo, é condição básica a apresentação clara de uma tese e a sua fundamentação através de argumentos necessários e suficientes para o engajamento do leitor/ouvinte. Para convencer, o escritor deve deixar clara qual é a sua opinião. A construção do texto deve, explícita ou implicitamente, evidenciar qual a posição tomada em relação ao tema abordado.

Outro aspecto importante que deve ser considerado na construção de um texto argumentativo é evitar as generalizações, afinal, é sempre melhor mostrar do que simplesmente declarar. É necessário também que o texto apresente de fato argumentos. Conforme Othon M. Garcia[1], “argumentar é, em última análise, convencer ou tentar convencer mediante a apresentação de razões, em face da evidência, das provas e à luz de um raciocínio coerente e consistente.” (1988, p. 370)

Assim, os argumentos constituem as “provas” de que o produtor provê seu texto para persuadir da exatidão e pertinência de sua tese. Por provas entende-se a apresentação de fatos, exemplos, dados estatísticos, testemunhos, apresentação de causas e consequências, recursos que constituem a evidência do que se declara.

Linguisticamente, o texto argumentativo caracteriza-se pela:

ü progressão lógica de idéias e linguagem objetiva, denotativa;

ü presença de palavras valorativas (positivas e negativas) e expressões modalizadoras que manifestam o posicionamento do falante;

ü emprego de orações subordinadas adverbiais causais, introduzidas pelas conjunções visto que, pois, porque, para a apresentação da relação de causa-consequência;

ü emprego de perguntas retóricas, antecipando possíveis questionamentos por parte do interlocutor;

ü presença de várias vozes que se integram ao texto por meio de citações, menções e/ou referências textuais, funcionando como apoio para a argumentação, e os sinais de pontuação que introduzem tais vozes (dois-pontos, aspas, travessões).



[1] GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna. 14. ed. Rio de janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1988.